Nas últimas décadas os promissores cavaleiros brasileiros se mudaram para a Europa, berço da nata do hipismo Mundial, em busca da sorte no velho continente. O cavaleiro paulista Paulo Sérgio Santana Filho optou por trilhar um caminho diferente e hoje desfruta de grande sucesso nos Estados Unidos.

Paulo foi montar no México e recentemente se mudou para Palm Beach. Além de representar o Brasil nas principais competições internacionais, tem servido de referência para os brasileiros que buscam um ponto de apoio para adquirirem cavalos e competirem no circuito amercicano. Saiba mais sobre esse carismático cavaleiro que já é um dos importantes nomes do hipismo brasileiro no exterior.

Fale como começou sua vida no hipismo.
Quando eu era garoto e morava em São Bernardo (SP), meu pai me deu um mini-buggy e eu sempre brigava com um cara, que era tratador de cavalos e que queria andar no meu mini-buggy. Um dia eu falei que emprestaria se ele deixasse eu montar nos cavalos. Depois da primeira vez que montei, nunca mais parei.

Como decidiu ser profissional no hipismo?
Quando entrei na faculdade meu pai começou a fazer pressão para eu largar o esporte para levar os estudos mais a sério. Como gostava muito do hipismo, tive que cortar os vínculos com meu pai para continuar montando. Como ele que me sustentava, tive que tirar meu sustento dando aulas na escolinha, arrumando cavalos que refugavam, etc. Depois de alguns anos meu pai viu que a coisa era séria e passou a me apoiar.

Você teve muito sucesso à frente da Hípica Paineiras, fale um pouco sobre essa fase da sua vida.
Arrendamos a Hípica Paineiras de 1996 até 2002. Foi uma fase excelente. A economia do país estava em alta e conseguimos ter um movimento muito grande, com muitos alunos e a hípica vivia cheia. Nessa época tive importantes clientes e algumas pessoas me incentivaram muito a competir em provas importantes no Brasil e tudo isso serviu de grande experiência para conseguir iniciar uma carreira internacional.

Por que decidiu sair do Brasil para ir montar no México?
O Brasil entrou em crise e acabei me endividando tentando manter a estrutura que tínhamos na Paineiras. Depois acabei optando por mudar para uma hípica menor com um custo mais reduzido e meus principais clientes continuaram comigo.

Quando os negócios se estabilizaram e vi que a estrutura estava andando sozinha, decidi que ia passar dois anos montando na Europa. Um amigo meu me alertou que provavelmente eu iria acabar trabalhando muito, aprendendo pouco na Europa e me convidou para ir montar no México.

Fui para o México achando que o hipismo lá era muito inferior, mas me surpeendi bastante. O nível de investimento lá é muito maior que no Brasil. Consegui um trabalho muito bom como treinador e isso me abriu portas para ter acesso a cavalos de nível internacional e de ter bons resultados nos principais concursos.

Quais as diferenças do hipismo mexicano para o hipismo brasileiro?
O hipismo mexicano é voltado para o cavaleiro amador e com isso a quantidade de dinheiro investido é muito grande. Eles pagam melhores salários para os treinadores e o comércio de cavalos é muito aquecido. O nível de cavalos é excelente e o investimento é pesado. Além disso, existe a condição de fazer comércio com o mercado americano. Tudo isso dá ao profissional uma ótima condição financeira para ter os seus próprios cavalos e de participar dos grandes concursos.

Por que decidiu se mudar para os Estados Unidos?
Mudar para os Estads Unidos já estava nos planos desde que me casei com minha esposa que é americana. Tive uma resistência grande para me mudar, pois meu esquema no México ia muito bem. Mas depois do nascimento de minha filha decidimos nos mudar para os EUA, principalmente pela questão de segurança, já que no México o problema da violência é muito sério.

Agora está morando em Palm Beach, com uma estrutura de ponta saltando provas importantes e fazendo muito comércio de cavalos. Quais foram os principais fatores para o seu sucesso?
Acho que as coisas foram acontecendo naturalmente. Ao contrário dos cavaleiros mais talentosos que conseguem os resultados muito mais rapidamente, eu tive que trabalhar e me esforçar mais que os outros para compensar essa falta de talento. Por um outro lado esse meu trabalho acabou me gerando recursos financeiros para poder ter acesso a ótimos cavalos e ter uma estrutura de ponta. Vir para Palm Beach me proporcionou estar entre os melhores e montar em um dos maiores centros equestres do mundo.

Você está sendo uma ponte importante para os brasileiros que querem competir e comprarem cavalos nos EUA?
Com essa questão da crise financeira americana, estamos tendo acesso aos melhores cavalos do mundo a preços acessíveis aos países latinos como Brasil, Guatemala, República Domimicana, México entre outros.

Estou sendo um tipo de “corretor” de cavalos de ponta. Não sou um descobridor de talentos, sou um caçador de oportunidades. Quando vejo que tem algum cavalo de grande currículo a venda e sei de alguém que possa investir e se encaixar nesse animal, eu faço essa ponte oferecendo a melhor condição possível aos clientes. Não busco fazer muitos negócios, procuro fazer bons negócios.

Como recebo os clientes em minha casa, só recebo pessoas que conheço ou que sejam indicadas por amigos e parceiros. Como estou há muito tempo fora do Brasil, a maioria dos clientes de lá tem vindo por inidicação do cavaleiro Daniel de Picoli, que é meu amigo e meu representante no Brasil

Você pensa em integrar uma equipe brasileira?
Depois de sair do Brasi tive a oportunidade de saltar vários concursos internacionais. Ganhei uma grande experiência e tive ótimas classficações, mas acabei focando mais no comércio de cavalos e tive que sacrificar um pouco minha carreira como atleta. Obviamente se algum dia eu tiver serventia para a equipe brasileira, teria um grande orgulho em representar meu país. Mas meu foco atual continua sendo o comércio de cavalos.

Você que indicou a Dragonfly para a sela da amazona Karina Johannpeter?
Na verdade ela foi mais do que uma indicação, foi uma ação direta de nossa equipe. Eu estava com essa égua em vista para servir a sela de minha esposa, quando o César Almeida me ligou e disse que estava em busca de um cavalo importante, com um currículo de peso, uma idade boa e que pudesse servir a sela de uma amazona, no caso a Karina.

Com esse perfil indiquei a Dragonfly que havia ficado em segundo lugar nas seletivas americanas para as Olimpíadas de Pequim e que fez pista limpa em todos os principais concursos nos Estados Unidos e na Europa. Eu fiz as negociações com os proprietários da égua e conseguimos concretizar o negócio, levando para o Brasil um dos principais animais do circuito internacional e que seguramente dará muitas alegrias para a Karina.

Além de você, o Rodrigo Pessoa está morando aqui em Palm Beach, você tem contato com a família Pessoa
Através do meu amigo Gustavo El Jack comecei a ter maior contato com o Rodrigo Pessoa e ele tem me dado uma consultaria com um dos meus cavalos que é filho do Baloubet. A ajuda que o Rodrigo e o Neco estão me dando, fizeram o cavalo evoluir muito. Só pude confirmar o que já sabia, eles são gênios da arte da equitação. Meu cavalo é muito bravo e em pouco tempo colocamos muito controle e organização nele. Tenho muito o que agradecer a eles.

Qual sua programação com o fim do circuito em Palm Beach?
Após o fim do Winter Equestrian Festival, os cavalos vão descançar por um mês. Depois vamos competir algumas semanas em Spruce Meadows, no Canadá. Em seguida, estamos planejando ir para Kentucky, pois vão acontecer muitas provas por lá em virtude das preparações para o Mundial. Em setembro gostaria de fazer um giro pelo Brasil, mas caso não seja possível, vamos mandar os cavalos para a Europa e ficaremos por lá até novembro quando começa novamente a temporada em Palm Beach.

Você sempre foi uma pessoa muito sincera e carismátca e continua sendo, fale um pouco mais sobre essa sua personalidade.
Eu sou conhecido como uma pessoa que fala demais e que não consegue guardar segredos. Na vida eu aprendi que a melhor maneira de fazer negócios é com as coisas totalmente transparentes e contra a verdade não tem como as pessoas contestarem. Já estou velho para mudar meu jeito de ser e gosto de todas as pessoas, até que me mostrem o contrário. Eu tive muito mais alegrias do que decepções sendo essa pessoa aberta e acabei me cercando de pessoas honestas e pessoas do bem.

Como você enxerga o futuro no hipismo brasileiro?
Mesmo sendo uma pessoa que saiu do Brasil, eu acredito que o futuro está no Brasil. O nível de investimentos no hipismo brasileiro vem aumentando e o nível dos cavaleiros também vem aumentando.

A economia do país está aquecida e os Jogos Olímpicos vão puxar muito os investimentos para lá. Eu adoraria um dia poder voltar a viver em meu país. Hoje o Brasil é meu principal consumidor de cavalos e espero no futuro ter pelo menos parte de minhas operações baseadas por lá.

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